domingo, 18 de outubro de 2009




SE ...

Se...

Um dia, se voltares

talvez, a ti

só digam que parti

que já não sou

onde era o meu lugar

o meu estar

que, até, talvez de mim

distante eu esteja

como distante é agora

o tudo de eu amar

mas lá, tal como aqui

lá onde eu seja

a imensurada rota, a não estrada

semente em só silêncio fecundada

percurso em mim do tempo, o longe-perto

pássaro louco, solto na distância

de só saber de ti a dor a ânsia

mais frágil do que um sopro, o pó no vento

baterá meu coração, fiel e certo

poeira ou golpe de asa, em voo incerto

assim e só por ti, terno e violento

perdido coração e sem sossego

pássaro do longe, a ir, a vir

que incerto erra

grão ou semente, ou só poeira, em voo cego

a fecundar, nó de silêncio

a funda terra.


M.V.M.

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