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O dia amanheceu com uma leve neblina e o cheiro característico da maresia. A praia quase deserta e a perder de vista, deixava adivinhar que brevemente se iria transformar num areal ruidoso , onde as gaivotas deixariam de usufruir do sossego e da sua liberdade de saltitarem na espuma das ondas. Enquanto permaneci sentada e imóvel, observando aquela dança fantástica de um vai e vem em plena sintonia, ora voando nas alturas, ora rasando as águas azuis do oceano, observei o seu conversar. Mais parecia um coro de várias vozes como se tivessem sido convidadas a exibirem-se naquela manhã. Dei comigo a desejar a sua permanência perto de mim, e que na sua dança percebessem que eu estava ali para as admirar na sua liberdade e delicadeza... Mas não, tal como chegaram, assim partiram ruidosamente em direcção a norte, levando consigo uma beleza e uma frescura sem igual, e o meu pensamento, seguiu com elas. Foram instantes de enlevo, em que a fantasia se apoderou da alma que se deixou levar como se levitasse no espaço e assim conseguisse atravessar o oceano. Uma espécie de poesia interior ocupando os espaços vazios, espaços esses destinados apenas a albergar a beleza rara de certos sentimentos que são despertados pela visão. Recordei então outras praias, outras neblinas, outras gaivotas e outras gentes... É Verão, podia ser outra estação qualquer, que importa? Tudo se repete, ou quase tudo... Os pescadores que apressadamente entram nos seus pequenos barcos de pesca artesanal e que regressam no final do dia com algum peixe que é vendido de imediato na praia. As pessoas vão chegando, e nota-se em quase todas elas aquela azáfama de uma rotina que se repete ano após ano, de se bronzearem para ficarem com ar saudável, mesmo que o sacrifício seja maior que o benefício e o cansaço muitas vezes seja notório. Era Domingo,e o sol acabou por brilhar, um Domingo de Agosto, nem quente nem frio, ameno com uma leve aragem a beijar os corpos que se estendiam no areal, não fossem as notícias menos boas e tudo seria quase perfeito. Os Partidos mais fragmentados que há memória, a violência gratuíta e todo um sistema que funciona a meio gás ou nem sequer funciona, um futuro incerto, e um presente sinuoso com pouca ou nenhuma credibilidade, as fragilidades de um passado que não soube ou não quiz acautelar o futuro... São tantas coisas... Reflexões minhas num Domingo de Agosto, onde apesar de tudo encontrei a minha praia deserta,e onde a poesia e a simplicidade da natureza me deu alento e força anímica suficientes ,para encarar a realidade do dia a dia .
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