quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
QUERO...
Quero o cinzeiro antigo
e a caixa de Pandora
e a cor de fumo do vestido que vesti
no dia em que fui contigo espreitar a hora...
Quero dar passos atrás, sorrindo de querer
coisas sem sentido
nos restos do tempo, nas sombras da hora...
Quero que os ramos sacudam na minha janela
toadas de tudo, toadas de nada
flor amarela da minha alvorada.
Quero pingos de amor migalhas de confetti e chuvas de côr
sem tempo contado... quero o despertar contigo a meu lado
quero chuva, quero vento, quero sol
trancada em fita de laço
tão longe do mundo - só no teu abraço!
Ana Daniel
segunda-feira, 14 de junho de 2010
QUIMERA
Por teu amor,
destruia a razão
e, com ela, todos os pensamentos,
e das doces imagens região;
alma soltava aos ventos,
por teu amor.
Por teu amor,
árvore era no cume
de rocha, verde folhagem vestia,
sofrendo raio, temporal em fúria,
e no Inverno morreria,
por teu amor.
Por teu amor,
pedra de rocha era,
ali no fundo em chama ardente,
numa dor insuportável deveras,
sofrendo mudamente,
por teu amor.
Por teu amor,
alma solta um dia
a Deus pediria que devolvesse,
ornando-me com virtude maior,
e, alegre, eu ta daria,
por teu amor.
V.M.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O ROSTO QUE NÃO TEM ROSTO
Eu tinha uns olhos de neve
no tempo do vendaval;
sob os olhos, flores geladas;
por sobre o espelho tremente
finas bagas de cristal.
O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.
Nas noites de lume fosco
sobre a água corredia,
um rosto que não tem rosto
e que se esfuma no dia
preside ao branco cenário
de uma única harmonia ...
Vendaval de mãos tão frias:
deslaça-me estes cabelos,
abre-me os braços sem elos,
faz de mim águas sombrias,
sem canto de rouxinóis
nem folhagem protectora,
nem melodias de aurora,
nem mansos beijos de sóis.
Inunda-me estes ouvidos
de raízes muito velhas;
põe longe as festas vermelhas
que eu tive nos meus sentidos,
e de uma vez para sempre
livra-me toda de mim.
Natércia Freire
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
VOANDO AO ACASO

Hoje posso dizer que escalei os Himalaias, percorri todos os caminhos até à Patagónia, voei vertiginosamente sobre a Amazónia e desci suavemente no meio do Oceano Atlântico.
Quizera eu, flutuar no meio do mar imenso, subir até à brancura das núvens e olhar lá de cima, o azul de belos cambiantes..., mas sempre aquele azul...
Quizera eu, que neste espaço de tempo, todas as espécies migratórias que por mim passaram, se tivessem detido um segundo à minha volta, apenas o tempo necessário para que os olhos da alma pudessem guardar imagens inéditas, puras, lindas, e assim se lançassem dentro de mim apagando outras, selvagens, vulgares e predadoras.
Creio , que a Natureza, mãe da Terra, às vezes se engana, colocando declives , onde apenas deveriam existir belas planícies
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
ODE PAGÃ
Viver! - O corpo nu, a saltar, a correr
Numa praia deserta, ou rolando na areia,
Rolando, até ao mar... (que importa o que a alma
anseia?)
Isto sim, é viver!
O Paraíso é nosso e está na terra. Nós
É que temos o olhar velado de incerteza;
E julgamos ouvir a voz da Natureza
Ouvindo a nossa voz.
Ilusões! O triunfo, o amor, a poesia...
Não merecem, sequer, um dia à beira-mar
Vivido plenamente, - a sorver, a beijar
O vento e a maresia.
Viver é estar assim, a fronte ao céu erguida,
Os membros livres, as narinas dilatadas;
Com toda a Natureza, em espírito, as mãos dadas
- O resto não é vida.
Que venha, pois, a brisa e me trespasse a pele,
Para melhor poder compreendê-Ia e amá-Ia!
Que a voz do mar me chame e ouvindo a sua fala,
Eu vá e seja dele!
Que o Sol penetre bem na minha carne e a deixe
Queimada para sempre! As ondas, uma a uma,
Rebentem no meu corpo e eu fique, ébrio de espuma,
Contente como um peixe!
Carlos Queiroz
domingo, 3 de janeiro de 2010
DEI-TE OS MEUS OLHOS PARA VERES
Dei-te os meus olhos para veres
e continuei a ver,
dei-te a minha mão para guiar-te
e continuei a guiar,
segurei-te quando tropeçaste
e continuei a segurar,
levantei-te quando caíste
e continuei a levantar-te,
amei-te quando pediste
e continuei a amar.
A queixa?
Estive enquanto estiveste...
.. e continuo a estar !
Martin Guia« in as Pedras do Vau»
e continuei a ver,
dei-te a minha mão para guiar-te
e continuei a guiar,
segurei-te quando tropeçaste
e continuei a segurar,
levantei-te quando caíste
e continuei a levantar-te,
amei-te quando pediste
e continuei a amar.
A queixa?
Estive enquanto estiveste...
.. e continuo a estar !
Martin Guia« in as Pedras do Vau»
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