quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

VOANDO AO ACASO


Hoje posso dizer que escalei os Himalaias, percorri todos os caminhos até à Patagónia, voei vertiginosamente sobre a Amazónia e desci suavemente no meio do Oceano Atlântico.
Quizera eu, flutuar no meio do mar imenso, subir até à brancura das núvens e olhar lá de cima, o azul de belos cambiantes..., mas sempre aquele azul...
Quizera eu, que neste espaço de tempo, todas as espécies migratórias que por mim passaram, se tivessem detido um segundo à minha volta, apenas o tempo necessário para que os olhos da alma pudessem guardar imagens inéditas, puras, lindas, e assim se lançassem dentro de mim apagando outras, selvagens, vulgares e predadoras.
Creio , que a Natureza, mãe da Terra, às vezes se engana, colocando declives , onde apenas deveriam existir belas planícies

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ODE PAGÃ




Viver! - O corpo nu, a saltar, a correr
Numa praia deserta, ou rolando na areia,
Rolando, até ao mar... (que importa o que a alma
anseia?)
Isto sim, é viver!

O Paraíso é nosso e está na terra. Nós
É que temos o olhar velado de incerteza;
E julgamos ouvir a voz da Natureza
Ouvindo a nossa voz.

Ilusões! O triunfo, o amor, a poesia...
Não merecem, sequer, um dia à beira-mar
Vivido plenamente, - a sorver, a beijar
O vento e a maresia.

Viver é estar assim, a fronte ao céu erguida,
Os membros livres, as narinas dilatadas;
Com toda a Natureza, em espírito, as mãos dadas
- O resto não é vida.

Que venha, pois, a brisa e me trespasse a pele,
Para melhor poder compreendê-Ia e amá-Ia!
Que a voz do mar me chame e ouvindo a sua fala,
Eu vá e seja dele!

Que o Sol penetre bem na minha carne e a deixe
Queimada para sempre! As ondas, uma a uma,
Rebentem no meu corpo e eu fique, ébrio de espuma,
Contente como um peixe!

Carlos Queiroz


domingo, 3 de janeiro de 2010

DEI-TE OS MEUS OLHOS PARA VERES

Dei-te os meus olhos para veres
e continuei a ver,

dei-te a minha mão para guiar-te
e continuei a guiar,

segurei-te quando tropeçaste
e continuei a segurar,

levantei-te quando caíste
e continuei a levantar-te,

amei-te quando pediste
e continuei a amar.


A queixa?

Estive enquanto estiveste...

.. e continuo a estar !

Martin Guia« in as Pedras do Vau»