Começo assim... Era uma vez...
Um cachorro lindo, malhado de cor laranja e branco, olhos doces da cor de mel, impetuoso, mal educado,irreverente até ao desespero, mas doce,fiel,com um amor imenso estampado naquele focinho malandro.
Foi uma paixão ao primeiro latido, era o mais feioso de todos os que estavam na loja de animais em Perpignant.
Uma espreitadela minha, e aí saltou ele inteirinho para cima de mim, nessa altura tinha os olhos azuis, era desengonçado, com ar de quem tinha apanhado um choque eléctrico.
Mas as paixões são assim, quem feio ama , bonito lhe parece, mas não foi o caso, o INIKI de seu baptismo, tornou-se no cão mais lindo daquela raça,(Epagnol Bretton) foi como se uma flor desabrochasse e brilhasse como o sol.
Sem saber eu tinha comprado um cão de caça, timido, que tremia com a trovoada, foguetes e afins.Imaginem se ouvisse um tiro, decerto levantaria vôo.
Mas as aptidões, essas estavam lá inteirinhas, entregava tudo em mão sem reclamações e com o ar mais feliz do mundo.
Mas nunca foi um cachorro saudável, com um ano de idade foi-lhe diagnosticada a" Dirofilariose "ou a chamada doença do mosquito
.Após avultados gastos e muito carinho, conseguiu sobreviver, mas ficou com alergias a quase tudo, era raro o mês em que não ia visitar o " Tio ", esteve às portas da morte mais duas vezes.
Mas o amor faz milagres, e ele adorava os donos, que por sua vez o adoravam também, apesar das portas roídas, sapatos desfeitos, cortinados arrancados etc.etc.etc.
Sempre reivindicou tudo aquilo que achava ter direito. Casota? Ele? Nunca! Era desprestigiante, o sítio exigido era no quarto dos donos ou do meu filho,e não foram raras as vezes que o encontrei a dormir plácidamente na cama, para onde sorrateiramente saltava durante a noite.
Era assim o Iniki, saltador nato, nadador, mergulhador exímio, companheiro exigente e que não queria ficar só em casa, caso contrário partia tudo, roia, ladrava furiosamente, enfim, coisa pequena para um cão lindo e viajado.
Adorava andar de carro, nunca se recusava ,chegámos a fazer viagens longas para fora do país, e ele sempre ao nosso lado.
Um dia, começou a ter um andar estranho,tipo cavalinho de alta escola, todos engraçavam com essa forma de andar, até que começou a perder força nas patas dianteiras e a desiquilibrar-se.
Após muitos exames, entre eles uma TAC à cabeça,e sempre sem sucesso, percorreu várias clínicas, entre elas, uma vocacionada para problemas neurológicos mas sem conclusão nenhuma.
O estado dele foi-se agravando...
Pacientemente, deixava que lhe fizessem todos os tratamentos, e cada vez mais, o olhar dele me mostrava o seu amor, agradecimento e dedicação.
Até que um dia paralisou completamente, foi um desgosto enorme.
Ainda hoje tenho presente esse dia, em que o médico veterinário me disse que nada mais podia ser feito, e que para que não sofresse mais, eu devia aceitar a eutanásia.
E foi assim, que no meu colo ele adormeceu, sempre a olhar para mim com aqueles olhos doces de mel, e eu fazendo um esforço enorme para que não me visse chorar.
E partiu... Ainda hoje choro por ele.
É assim o amor! Não é necessário saber-se o que se ama, o necessário é ter amor dentro de nós, e o meu INIKI sabia disso.
Mais tarde encontrei na Net, um caso igual com um Dalmata de Barcelona, mas esse era mais novo e conseguiu salvar-se. Era uma Mielopatia.
Hoje tenho um sem abrigo que foi abandonado nas ruas da Parede, pequenino de tamanho , tipo " franjinhas" não tem o doçura do Iniki, é refilão mas gostamos um do outro.
Ah! também gosta de passear de carro.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
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